quarta-feira, 5 de agosto de 2009

E por falar em mentiras...


Dizem que criança não mente... mas isso não é verdade. Ou então nunca fui criança...
Foi o que eu ouvi de uma amiga um dia desses “Que criança mais madura... esquisito”. Tudo porque ela pediu minha opinião enquanto preparava uma coletânea de músicas infantis para o chá de bebê da cunhada. “Paula, que música você mais gostava quando era criança?”, a cara dela de espanto quando eu disse “Mentiras” foi muito engraçada.

Isso não é mentira. Meu gosto musical na infância incluía uns nomes incomuns para a idade (Moraes Moreira, Gaúcho da Fronteira... Adriana Calcanhotto, rsrs). Não que eu não gostasse da Xuxa, do Trem da Alegria, do Balão Mágico, isso era pra eu me divertir... Adriana era o que me fazia refletir.

E não pense que foi influência da família, (se fosse assim eu só gostaria de Roberto Carlos e Milionário e José Rico). Era uma escolha minha. EU tinha ouvido a Adriana, era uma descoberta. EU. Não era uma coisa que minha mãe botou pra eu ouvir, que a professora mostrou, um coleguinha dançou... EU ouvi! Numa rádio AM que eu adorava (as AM´s constroem muitos gostos rs).

Lembro até do nome da apresentadora do programa. Eu também era fascinada pela voz dela. Ouvia todos os dias às 8h da noite. Ligava, conversava com ela pedia diversas músicas, oferecia aos outros. Achava fabuloso!
Um dia minha mãe me disse que ela trabalhava na prefeitura municipal, onde minha mãe também trabalhava. Combinamos então de ir conhecê-la na saída.
Lá fui toda pomposa conhecer a dona daquela voz. Decepção. Ela era feia... Eu imaginava um anjo. Realmente ela tinha uns olhos azuis, muito azuis, e um cabelo loiro, muito loiro. Mas parece que essas características não se combinavam bem e o resultado não era bom.

À noite liguei no programa como de costume. Sem a mesma vibração na voz.. Era perceptível. E eu não queria que ela mencionasse o fato de que havíamos nos conhecido, pois eu não saberia o que dizer. Mas ela mencionou. E eu, pela primeira vez de que me lembro bem, menti para muitas pessoas de uma só vez.
Minha barriga gelou quando ela em atendeu dizendo “Alô! Ana Paula minha querida! Queridos ouvintes hoje eu conheci nossa amiguinha. Como você é uma garota encantadora!!! E você o que achou de mim? Se espantou com a feiúra?” e eu, sinicamente, “Não! Eu te achei linda”!

E fiquei torcendo para que ela não ouvisse os risos vindos da sala da minha casa... e certamente de todas as salas onde pessoas, que já a tivessem visto, ouvissem o programa.
Ela me agradeceu e perguntou o que eu gostaria de ouvir e eu, sinicamente, disse “MENTIRAS”.

Meus pais ficaram com vergonha... até hoje eu me pergunto se fiz isso de propósito. E por tempos e tempos “Mentiras” seria o fundo musical para uma grande mentira via ondas do rádio... estações... canais...ao vivo...ou não.

Mas a verdade é que eu me delicio com minhas descobertas. Com as Adrianas que tenho encontrado em sonhos há dezesseis anos.

Até ontem eu achava realmente que ela era um sonho. Um holograma, algo virtual... Intocável. Por uma besteira minha tudo foi uma surpresa.

Minha programação (falta no trabalho)
30/10 – 17:20 Mostra Internacional de Cinema “A Casa de Pandora” Reserva Cultural
19:00 Noite de autógrafos do amigo Berg “Hinos de todos os países do Mundo”
Martins Fontes – Paulista
22:00 Retornar para São José dos Campos – onde eu moro e por sinal acordo às 5:30 da madrugada todos os dias.

Chego à Martins Fontes, abraço meu amigo, compro o livro, abraço de novo, dedicatória personalizada. Uma amiga, nem tão amiga, mas de quem ganhei o melhor presente, que estava lá diz “Gente já vou indo porque hoje tem o lançamento do livro da Adriana Calcanhotto e é um pouco perto daqui”.

Meu coração foi na boca. Como eu não liguei o tempo ao espaço?! EU recebi um e-mail com a data e horário da noite de autógrafos e não me atentei de que estaria em SP justamente no mesmo dia, horário, local e se não fosse essa amiga nem tão amiga assim eu iria embora para a casa somente com o livro “Hinos de todos os países do mundo” na bolsa.

A programação ganhou mais um item que me fez chegar em casa quase uma da manhã e que me faz estar até agora parecendo um urso panda fantasiado de fã.
Mas não estou me importando não porque ontem eu vi a Adriana, meio que sem querer, meio que de repente...
Daqueles encontros que não se espera, mas que quando acontece parece que é eterno.

Ensaiei tantas coisas para dizer a ela enquanto aguardava na fila pelo autógrafo no meu livro... mas a única coisa que consegui dizer foi “obrigado”. Parece que de dentro dela sai uma luz, algo de bom que prende o olhar e não importa quantos famosos estão ao redor... Só se enxerga ela.
O brilho daqueles olhos é hipnotizante... E quando ela escreveu meu nome me senti a criatura mais importante do mundo. E quando a máquina da minha amiga, agora quase melhor amiga, não funcionou dei graças a Deus por poder ficar abraçada um pouco mais junto à Adriana até que uma viva alma se oferecesse para bater uma foto e enviar por e-mail depois...
E quando ela parou do meu lado na calçada, já de saída, como alguém pára do lado da gente para atravessar uma rua, de novo as palavras me faltaram e só me restou resignar-me... na minha condição de observadora, admiradora, amadora... rs... vê-la entrar no carro e partir.

Já não me sinto tão culpada por ter colocado uma locutora de rádio em maus lençóis, em rede regional, aos oito anos de idade, só para ouvir “Mentiras”...

Sei lá...acho que coincidências às vezes são presentes que ganhamos ...
Paro por aqui...quero compor uma canção para Adriana...não sei se comentei, mas aos oito anos, mais do que ouvir Adriana na AM eu queria “ser ela” e aprendi a tocar violão ...para poder tocar Mentiras...


(escrito em 31/10/08)

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